domingo, 8 de julho de 2012

Manequim


 Um homem fraco, era quase cego, não dos olhos, não sabia pensar, como se fosse oco.
Ele queria de todas as formas domar aquela mulher indomável.
Um homem bonito e que sorria muito, nunca soube, mas pré-fixos como esses não são postos atoa, não são como regras uma vez postos naquele adjetivo não há exceção.

 Ela parecia inquieta sentada na mesa, já era o quarto copo ele contava enquanto ela falava sem parar sobre fluxos sentimentais, realidades abstratas, paraísos artificiais, e ele apenas sorria e assentia com frequência sua mente só conseguia prender-se ao que lhe parecia tangível como o decote da blusa dela, o jeito como cruzava as coxas e a visão imaginada da boca dela sugando dele todo o folego.

 Ela o pegou distraído, quando olhou docemente nos olhos dele que fitavam seu sutiã acidentalmente a mostra no canto do decote da blusa, ela sorriu constrangida e encarnou seu papel, mordendo os lábios, deliciando-se com o jogo que ia por em pratica.

- Eu escuto, sabia? Escuto você pensando se meus peitos cabem na sua boca, e com o que gostaria de molhar as minhas pernas, não negue que adora imaginar a minha visão de joelhos pra você.

Ele sorriu mais uma vez, dessa vez mais largo.
- Acho que estamos finalmente em sintonia gata.

Nem todo mundo que sorri, possui de veras um bom humor ou é capaz de perceber a sutileza de uma ironia. Certa vez alguém disse que bom humor era sinal de inteligencia, mas ela reparará com frequência a felicidade contida na esperança daqueles que ignoram. Ela nunca ia entender, ele apenas era capaz de assentir e sorrir.

Sorrindo ainda com a mesma doçura ela lhe disse.

- Por favor querido, não concorde comigo. Não! Eu quero que você discorde. Discorde de mim, discuta comigo, me questione, DUVIDE! Desprenda-se do conceito que mastiguei pra você, não aceite o que eu cuspo na sua cara.
Eu lhe peço querido, jamais aceite meu argumento sem contra-ponto. Eu conheço o meu modo de pensar, é o seu território que eu quero invadir não o meu, que nada mais tem de novo a me acrescentar, é o seu território infértil meu objeto de estudo por agora.

Caso não concorde com esses termos eu o ignorarei com um sorriso blasé, pedirei licença pra ir ao toilete e nunca mais voltarei, e lhe deixarei feliz a sombra da contradição ao final de tudo o que lhe digo, porque algo temos que concordar tratemos nos como iguais respeitando toda a diferença e a nossa ignorância.

Ele ficou atordoado, e olhou mais uma vez para o seu decote como se buscasse orientar-se ou lembrar se o objetivo tentando manter o foco.
 Ela lhe deu um beijo no rosto e brindou a ironia, pediu licença e foi ao toilete.

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