terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O Meu Tabaco.



É tristeza, eu sinto.
As estações estão mudando, o verão vem acabando ou está no auge?
Fui feliz mês passado. Fui? Ou esqueci por um mês que estava triste?
Nem meu cigarro tem mais o gosto que costumava ter.
Não sei o que quero.
Não sei o que não quero.
Deixei meu amor próprio engolir os outros amores. Sempre aquela que sabia o que queria, no momento.
Coisas de momento, a longo prazo, não quero nada, ou quero, alguma coisa que eu não sei.

Não saber o que eu quero é que me intriga.

Devora me tempo, devora me!
Quero todos os filtros de sonho me iludindo de uma vez todas as engrenagens em mim rangendo ao mesmo tempo.
Devorem me sonhos!

Quero traga-los todos num único cigarro por fogo nos filtros e fuma-los também.
Eu quero fumar todos vocês!
E não ter que ficar com o gosto de merda na boca, sem que baixe a minha já baixa pressão.

Preciso achar outro cigarro com outro gosto.
O preço dos cigarros está subindo e o fim do mes chegando, não há tempo para experimentar todos, não há dinheiro também, ainda há contas que preciso pagar.

Não quero fumar nenhum deles!
Não quero o gosto de merda na boca, nem a possibilidade de ter minha pressão baixa na ameaça de desmaiar.

Cadê meu dominó, aquela peça que parece com a minha? Cadê a peça do quebra-cabeça que encaixa na minha? Não. Espere. Esse texto não é sobre a minha vida amorosa.
Eu estou sozinha porque quero! Não estou?
Se não estou...Que importa? A ideia inicial era essa. Eu preciso me lembrar que queria estar só, pra vivenciar essa experiencia que é rara pra mim.

Eu quero um cigarro.
Adorava esse cigarro. Que gosto mesmo que ele tinha?
Ah, que gosto de merda!
Eu quero que me fumem!
Assim, amarga como sou. Que gosto será que tenho?
Quem me responde são os amores outros engolidos pelo meu amor próprio.
 Hoje, parei de fumar... É tristeza, eu sinto.



Texto dedicado ao genialíssimo Fernando Pessoa, a quem sempre admirei, apesar de preferir a obra dos heterônimos do que a obra -dele mesmo-
E a meu amigo e irmão de luas Antonio Garrido que me deu a vista e a paixão pelo seu lado da Tabacaria.