quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Ferid'antiga - partes I e II -





  Esses vícios torturantes de entregar-se aos Blues Lentos revivendo as justificativas injustificáveis... Como se todas as vozes frequentassem o por entre as minhas pernas, para Ele todas se tornaram parte do nós.
E como se todos eles e suas verdades estridentes tivessem de fato visitado das minhas virilhas ao útero e permaneceram nas entranhas, mesmo depois que Ele se foi, deixando o veneno corrosivo e comodo.
- E eu?
 Eu não sairia dali, não extrairia de mim qualquer coisa que fora trazida ou deixada por Ele.
 O Senhor dos meus vícios e das justificativas. Aquele que se tornou eu dentro de mim quando eu era Ele fora Dele. Quando eu era Dele e Ele era meu, como nunca foi. Foi?
Nem por um minuto, nem por um olhar, nem por uma transa, numa maldita palavra sequer!
Ele que não podia ser meu. Era vazio, ainda sim era eu, pois Ele precisava ser preenchido pra sentir-se completo, mas continuava vazio, sedento, -o de fora- e agora também o de dentro de mim. Vazio.

(10.09.2011)Nera




Parte II


É nesse lugar deserto que me acomodei eu e os Blues Lentos, nesse vicio de abrir a ferida assim que começa a cicatrizar, é nesse ato que masoquista eu coleciono os cortes, os Blues, as fotos, as poesias, os cafés mais amargos, os cigarros e os venenos nas entranhas, um aplacando o outro.
 Essas coisas...Sabe, que já não me preenchem mais...
"Eu vivia tão Nele, Dele e pra Ele" Que não havia o lado de fora, até o choro mudo cansar e ir lento arrebatando o ódio e substituindo por indiferença.

-Pensando que abrasaria a chama...

Indiferença à Ele, também é claro -não o de dentro, o de fora- o de agora, fora de mim, fora do vazio onde o Ele "interno" ainda parasita, o parasita que se alimenta do cheio,
- Que era.
Do que me preenche,
- Preenchia.
Do que me completa.
- Completava.
O que eu era?
Ele foi transformando, cada vez mais pra Ele, Nele, Dele, vazio e aberto, como os cafés amargos, e todos os cigarros amontoados ao som dos Blues. A dor que permanece na brasa indiferente, latente.
 Só eu sinto!

Das cinza eu vejo a brasa, quente, quente, quente

Latente...e no fundo... talvez ainda haja fogo.

(19.09.2011) Nera
.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Elemental.



Estive em chamas, faíscas nos olhos, labaredas na língua. Eu incendiava, incendiei quando estive nos seus braços e mãos de brasa, era quente fluído, vulcão e lava caindo sob minha cabeça daqui vejo-me cinzas. Chove tormentas. Deságuo em lágrimas de outrora suor salivando a boca onde a nascente chora submersa em tudo que não há. Houve. Transbordei há tempestades atrás até que você riacho e eu oceano nossa maré baixa. Em pequenas gotas afundo. De tanto úmida, seco. Do zero infértil  Em lama semeio esterco. Descamo o barro da pele. Aduba-me ou aterra-me, cava-me e sente-me seiva. Aterro. Enterro meus pés no chão. A poeira dança e inspiro, ainda vejo nevoa, dissipo brumas, sopro a brisa que limpa meus olhos, caia de cabeça, de corpo e alma agora flutua em espiral, venta forte demais, não sou capaz de conter-me, sou vendaval, girando, girando furacão. É tudo! É tanto! Condenso a vida e respiro me. Fumaça, expiro: Estou em chamas!







Notas: 
-  http://bruxariamacrocosmica.multiply.com/journal/item/8

- "Porque você pergunta? 
Perguntas não vão lhe mostrar, 
que eu sou feito da Terra do Fogo da Água e do Ar."  Gita, Raul Seixas. 

- Elemental é o nome dado a todo e qualquer espírito existente na natureza. Todo princípio divino, após emanar-se do "Absoluto", deve iniciar seu processo de desenvolvimento incorporando-se à matéria [...]

-  De acordo com Papus: "O caráter essencial dos elementais é animar instantaneamente as formas de substância astral que se condensa em volta deles. Seu aspecto é variável e estranho: ora são como uma multidão de olhos fixos sobre um indivíduo; ora são pequenos pontos fixos luminosos rodeados de aura fosforescente. Podem, ainda, parecer criaturas indefinidas, combinações de formas humanas com animais."
 http://pt.wikipedia.org/wiki/Elemental