domingo, 1 de abril de 2012

Tartarugas

Ele me beijou e choveu. Assim, como nos filmes.
Só que com menos emoção, bem menos emoção.
Nunca vai ser como da primeira vez em que ele me beijará, mas assim como da primeira vez ele me olhava com aquele "brilho", aquela adoração. Enquanto eu ainda era o Outro, ainda tinha o Outro na carne. Eu olhei a praia, a mesma, lembrei da canção que eu cantarolava de cabeça. Ele estava me olhando do mesmo modo e eu perdi a contagem do tempo em que despenquei nas lembranças daquele fevereiro e ele me olhando contemplativo, me perguntou por onde meus olhos andavam, fechei os olhos e voltei para Aquele verão e disse:
 - Tartarugas! tartarugas marinhas!

Ele sorriu. E eu senti dor, falta, a ausência, uma dor cruel como a tentativa de substituição de algo insubstituível  quão difícil é fazer nosso corpo, aceitar o novo. 
 - Você nunca vai entender. Eu disse.

Ele olhou pra baixo, sua boca levemente curvada pra baixo e ele murmurou:
 - Você vai surtar. Vai me deixar. Eu não quero. Você vai me deixar, não vai?
 - Não, meu querido, claro que não. É só que, você nunca vai entender. 

Não vai. Não ia. 
Como era egoísta a decisão. Crueldade deixar ele se entregar a má sorte de querer tanto alguém assim por
inteiro, assim de cabeça, que sabia como terminaria, alguém assim, como eu. Alguém que sempre será só a metade. Ele sorriu de novo assim. Como uma criança que ganha um doce depois de ralar o joelho e esquece. 
 - Vamos a praia ver suas tartarugas então!

E mais uma vez o espontâneo dele me leva assim sem querer, espontaneamente arrastada até o outro. E o buraco se abre no corpo e na alma, de novo.

Um comentário:

  1. Ownnnnnn... que fofo (risos).
    Brincando, viu??? Gostei do texto... das emoções contidas nele. Pode ser "mimimi", mas eu gostei... e sabe por que? Deixa pra lá... você nunca vai entender.

    Bom dia e parabéns pela belíssima postagem.

    Morpheus

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