quarta-feira, 16 de maio de 2012

Nárnia


No principio as luzes:

As luzes de fora pareciam que vinham de dentro como se em cada uma delas tivesse luz propria no inicio eu ficava do lado de dentro olhando a luz de fora refletida nas paredes de modo uniforme estava frio do lado de fora e do lado de dentro as cores e as luzes da barraca me mantinham aquecida.Criança e contemplativa.
A musica não era das melhores, apesar do frio eu sai, confrontante com a refração da luz da realidade, desconhecidos me encarando enquanto eu os conhecia sem que eles me conhecessem, ainda. De todos e todo Ébano, declarando-me tirana por repartir os cabelos no meio e não encara-lo nos olhos. Impertinente, chamar me perigosa, eu, que era criança contemplando cores refletidas na barraca a 5 minutos atras. Me notei, me notavam, o salto das botas me acertava a postura, o vestido me acentuava as curvas o vermelho destacava os lábios, o que ele dizia era o obvio, que eu não via, é claro.
Uma roda grande pra um pequeno resquício de fogo, eu conhecia alguns, de longa-média data, outros vim a conhecer, me afeiçoar, adotar, mas o processo foi lento num curto espaço do - tempo? Lembra Clarice... Clarice lembra? 
Era uma mistura insana -quem sabe planejando uns dias em sana?- Irreverente LUiZ de sorriso que a muito eu não via de longe eu diria, tinha o que participava do show da Xuxa com o instrumento de percussão batendo forte do meu lado causando o efeito dos fogos estourando dentro da gente, Gogo-boys pra todos os gostos sem camisa seduzindo, na festa errada!
O de olhos fechados sempre nos retratos, de simples enlouquecia conhecido pelo nome Graça. Havia o irmão rosado de luas de afeição sincera e gratuita, no qual os abraços são sempre bem vindos que repetiu comigo em coro, quando era festa, quando era socorro. "Andamos juntos, morremos juntos" Mesmo que eu não tivesse a frase tatuada no corpo ali estará ela, debaixo da pele e quando a garganta ficou seca, o nó ali formando o peso dos pés ficou leve. Entramos todos em grande numero e uma pequena chama no frio do grande guarda-roupa e enquanto o bonde passa sempre cabe mais um.

Comecemos por nomes:
Um nome pequeno que ficou grande no diminutivo, eu sei, é confuso, André não é alto, mas fala firme e de longe se escuta, enquanto os outros dançavam sabe se lá como despidos do frio, desinibidos a musica que meus ouvidos forçados já tinham acostumado e aderido. Tinha a moça séria, dura, amolecendo como Geleia, e Geleia mudando de cor, com o passar da moça sériAle, e que ao som onde naquela hora eu imperava ele não se importava com os assuntos velhos, novos ou errados, desde que se falassem, dele e dela e a trilha sonora que eu consagrava.  

Mas voltemos aos nomes:
Maicão foi alguém que de certo não lhe coube a ironia, diziam, que era do tamanho que o viam... Diziam...Teve aquela do tédio de regras banais descobriu naquele universo, doce como bala, nítido como Clara, a eficacia do tempo que se observa e a iluminação que vem com a pratica. Perfeição? Diria evolução e o resto só a mesma dirá. De ruiva eu não era só, dançava soberana a musa de tons de Brasil, de sorriso fácil o gingado das coxas e dos cachos, A-Lalá, que de gritos, gemidos, suados, doídos, prazeres sofridos, os que não dormiram hão de recordar!
Em todos em coro, alias, era difícil distinguir cada pequeno universo de cores que se refletiam na parte de dentro vinham sons diferentes de mesma procedência enquanto no amarelo ouro do universo da amiga, eu dividia e ria baixinho, que vivia do samba e depois de tanto rissambando conseguíamos dormir, pra acordar cedo no café quente de mesmo sobrenome eu e Ana.
Havia Deus nórdico atraído atraente sem limite, restrição, incandescente trazendo diversidades, invejáveis a todos que curtim, ops, seguiam a seta. 
Conheci aquele que nasceu para o palco, tinha um pouco de Lady e de Quebra barraco, no canto e no quieto  mesmo que não fosse tímido  o santo era forte e a força também, a presença que no samba não era só Gisele, eram Giseles numa Gisele só. O Ébano com estrelas na mão, me pedia o cartão, impertinente  Eu peço permissão ao tempo pra voltar ao inicio depois que se olha nos olhos e a confiança se restaura, eu troco o adjetivo! In-transi-gente, o que de tudo eu também sou, e acabei conhecendo além do rosado o Ébano também era um irmão de Luas. A muralha resistente e fria por fora, de julho, o sangue quente e o coração grande de dentro 1º,12º, 13º, o mesmo decanato. Mas chega de transcendência, falemos de decência. 
Ou não.
 Não cabe. 
O texto deve ser longo pra falar de decência que não nos rende grandes histórias. E de longe nem tão boas. Literários criativos todos num conservadorismo radical e libertário  Pois hoje muito se fala do vulgar do desapego, que tal um coletivo apegado liberto de pudores onde iguais e humanos, querem sol, querem chama, querem labareda e incendiários e tudo que flameja amar é grande demais pra ser restrito, e é suficiente pra caber no nosso sacramentado universo. Descobrimos todos um pouco médicos da doença do outro. Em Nárnia, com Gabriela cravo e canela no bataclã, Young Folks em outra dimensão, sentindo o sol no varandão, ou deitadas na barraca contemplando as cores dela, Lilás, e porque não eu e ela?
Com samba gostoso no nosso quintal a voz dissonante  um tal de Pedro que Ivou sambar quando ele começa cantar, A alegre Sambista de negros cachos ciganos como os traços que todos ali tinham um pouco, ciganos, vi a singela beleza de Ana sambando sem fim, com purpura luxo, Gisele no meio da roda e eu não consigo controlar meus pés eles sambam, somos contrastes de todos os santos, somos todos Reis e Rainhas de Narnia.
Sem tabus o quietinho se pudesse mais discreto vem com sua maquina de fumaça, enfeitiçar os que ainda não bem chegaram á nossa casa, o que parecia lento conseguiu ser mais rápido que Schumacker o cheiro doce das essências e dos incensos era como um encantador de cobras que sabia o que fazia, apreciava, enrolava, apertava e sentia, quem sabe sentir quase sempre não fala ,de uma história parecida a 1001 noites atras o grito indignado no palanque, até Sherazade apareceu por lá, de todos os tipo de gente, das arabias á Aperibé que vim conhecer quase ontem... ou foi ontem? Que importa Victor sabe que bigode é vintage! 
A memoria me falha depois de tantos anos desde quando eramos grandes. Ai já não lembro mais se o conheci de lá ou daqui... na cantareira que cantava um samba as 4 da manha sem hora pra acabar o papo, enquanto eu voltava da floresta onde fui Jane, num rapto consentido  do rapaz de cachos e dreads que nem de longe da história era o bandido, e me acalmava e acelerava, e mantínhamos do reggae ao rap o ritmo, de repente estava deslocadamente no lugar certo, comigo. 
Denuncias de agressões de um cara mal, que só vivia dormindo, Eu já tinha avisado, falando em mau, Maumau não é banheiro! Nem na casa da Hayla Oh sono! Eu estava na floresta, esperando o mocinho voltar pra selva enquanto ouvia contos, contos que denunciavam, da boca da musa que narrava uma outra parte da história, e que história! Ela contava aventuras nuas, que aconteceram num interior de um guarda-roupa qualquer.


Nenhum comentário:

Postar um comentário