segunda-feira, 2 de maio de 2011

(I)mortal


Pus me aos espelhos de tantos rios que me curvei
Procurei na lembrança o primeiro rosto que contemplei
Por quantas vidas nesta esfera eu esperei?

Debaixo da pele senti arder cada momento
No gosto do éter queimei a face com o vento
Diante desses olhos o feitiço do tempo.

Eis a criança adulta sob os olhos dos pais infantilizados
Remendei as cicatrizes que me geraram e as tatuagens do corpo a enfeitiça-los
O azul das fitas e o vermelho do cabelo são trançados.

À guiar o barco me aproximo daquele que em mim falece
Pensa que o embalarei de novo em meu canto, parece...
Não precisa dormir pra sonhar o bardo que aqui adormece.

Nas paredes do meu templo dividi com ele o meu lugar
Ensinei que ali, casa não seria sinonimo de lar
Moldei pra ser segura, pra se ver lá, ele teve de acreditar.

Dentro dele mesmo eu o fiz prisioneiro, como se por engano
No pais das Fadas lhe mostrei o ingenuo e ele tornou profano
Olhou fixo a rubra intensa como fogo e sangue e viu se insano.

Soube que viu o quanto de mim não era só bondade
Por mais que não quisesse aquele segundo era chave da sanidade
Mas naquela festa sua mascara não era a da verdade

Não questionei o futuro quando me pediu inteira num -Sim.
Pois alguma vez outrora anciei por aquilo pra mim
E seus olhos negros, frios de agora me condenam ao fim.

Na mente dele, viu até o que eu não vejo
Atiçou as chamas pra me queimar em desejo.
Pela extensão do comprimento às raizes do ruivo cabelo

Trançou lentamente o jovem bardo cuidadoso
Enlaçou os fios e ajeitou no delicado pescoço
Pra enforca-la e joga-lá a um poço

As lágrimas dela lembravam o vento da ultima vez
O corpo caído, levará dele a lucidez
Talvez ela renasça de novo, dentro de um mes.

Com dó dele pela sua insensatez
- Só eu sei, ele só vive uma vez!

Um comentário:

  1. Olá.

    Que belo texto... gostei do estilo (e da letra entre parenteses para dar o duplo sentido à palavra).

    Boa tarde.

    Morpheus

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